Blog

LG: a empresa coreana que reinventou a tela

De rádios a painéis OLED. A LG apostou no futuro das telas quando ninguém acreditava — uma história única da indústria coreana.

R
Redação HallyuHub
28 de abril de 20268 min de leitura9 views
LG: a empresa coreana que reinventou a tela

LG não é uma sigla de origem inglesa. Vem de dois nomes: Lucky e GoldStar — as duas empresas que se fundiram em 1995 para formar o grupo. Lucky foi fundada em 1947 como fabricante de cosméticos. GoldStar, em 1958, como fabricante de rádios. A fusão criou um conglomerado que, ao longo das décadas seguintes, se tornaria referência global em eletrônicos, eletrodomésticos e, principalmente, em tecnologia de displays. A trajetória da LG é diferente da Samsung: menos dramática, menos associada a escândalos políticos, e com uma identidade técnica mais específica — a empresa que, mais do que qualquer outra no mundo, apostou no OLED quando ainda era uma tecnologia cara e de futuro incerto.

O Grupo LG é o quarto maior chaebol da Coreia do Sul, atrás de Samsung, Hyundai e SK. É controlado pela família Koo — fundada por Koo In-hwoi e atualmente sob a liderança de Koo Kwang-mo, CEO desde 2018. Diferente da família Lee da Samsung, a família Koo manteve um perfil publicamente mais discreto, o que contribuiu para que a LG seja percebida com mais neutralidade pela opinião pública coreana — apesar de ter estrutura de controle familiar igualmente concentrada.

DADOS

A LG Display produz mais de 50% dos painéis OLED para televisores do mundo inteiro. A tecnologia OLED inventada e patenteada pela LG tornou-se o padrão da indústria para TVs premium — uma posição que a empresa construiu em mais de 15 anos de investimento contínuo na tecnologia.

A aposta no OLED: como a LG definiu o futuro das telas

No início dos anos 2000, o LCD era o display dominante e a maioria das empresas de eletrônicos concentrava seus investimentos no aperfeiçoamento dessa tecnologia. A LG tomou uma decisão diferente: investir massivamente em OLED (Organic Light-Emitting Diode) — uma tecnologia em que cada pixel emite sua própria luz, eliminando a necessidade de backlight. O resultado é preto absoluto (o pixel simplesmente apaga), contraste infinito, ângulos de visão superiores e espessura reduzida. Em 2013, a LG lançou a primeira TV OLED comercial do mundo. A tecnologia era cara, a taxa de defeitos era alta, e os concorrentes apostavam no fracasso.

A LG não desistiu. Investiu em fábricas de painéis OLED em Paju e Gumi, na Coreia, e em Guangzhou, na China. Em 2020, o OLED havia se estabelecido como o padrão de qualidade para TVs de alto desempenho — e a LG Display fornecia painéis para praticamente todos os concorrentes que queriam entrar no mercado premium de OLED, incluindo Sony, Philips e Panasonic. A empresa que apostou contra o consenso da indústria tornou-se o fornecedor inevitável de qualquer empresa que quisesse competir no segmento de maior valor.

FATO

A LG Electronics saiu do mercado de smartphones em 2021 — encerrando uma divisão que havia acumulado perdas por 23 trimestres consecutivos. A decisão foi considerada uma das mais pragmáticas de um chaebol coreano: reconhecer que o mercado havia mudado e concentrar recursos nas áreas de vantagem competitiva real.

LG Chem e LG Energy Solution: baterias para o mundo

A dimensão menos visível da LG — mas talvez a mais estratégica para o futuro — é a LG Energy Solution, subsidiária de baterias separada da LG Chem em 2020 e listada na bolsa de Seul em 2022. A LG Energy Solution fornece baterias para General Motors (joint venture Ultium Cells), Volkswagen, Hyundai e outros grandes fabricantes de veículos elétricos. É a segunda maior fabricante de baterias para veículos elétricos do mundo, atrás da CATL chinesa. A corrida pelos veículos elétricos é, em grande parte, uma corrida pelas baterias — e a LG está em posição central nessa disputa.

A LG Chem também é uma das maiores empresas químicas da Ásia, com operações em materiais de bateria, petroquímica e materiais avançados. A diversificação do grupo LG — de displays a baterias, de eletrodomésticos a produtos farmacêuticos — é característica do modelo chaebol: presença em cadeias de valor múltiplas que se reforçam mutuamente e criam barreiras de saída para qualquer concorrente que queira desafiar a posição consolidada.

LG e a vida doméstica coreana: eletrodomésticos como identidade

Na Coreia do Sul, há um ditado informal sobre casamento: o apartamento novo precisa de Samsung na sala (televisor) e LG na cozinha (geladeira, máquina de lavar). A divisão informal de território entre os dois maiores chaebol de eletrodomésticos reflete décadas de posicionamento de mercado. A LG dominou o segmento de eletrodomésticos de alta qualidade — lavadoras, refrigeradores, ar-condicionado — com uma consistência que a Samsung nunca conseguiu replicar completamente no mesmo grau de fidelidade de marca no mercado doméstico coreano.

O LG ThinQ — plataforma de casa conectada — e os eletrodomésticos com inteligência artificial integrada são o campo de aposta atual da divisão Home Appliance. A geladeira que sugere receitas com base no que está dentro, a máquina de lavar que ajusta o ciclo automaticamente, o ar-condicionado que aprende as preferências de temperatura do usuário — são produtos que a LG começou a comercializar na Coreia antes de qualquer outro mercado, usando o mercado doméstico como laboratório de adoção.

LG e o Hallyu: a tela invisível na sala de K-dramas

A LG tem uma presença no K-drama menos óbvia do que a Samsung, mas igualmente sistemática. As TVs OLED da LG aparecem nos apartamentos dos protagonistas de dramas de prestígio — o product placement funciona de forma diferente do smartphone: é mais aspiracional, mais ligado à ideia de lar bem-equipado do que à identidade pessoal do personagem. Para fãs de K-drama que assistem com atenção, as telas LG na decoração dos cenários são uma constante. A empresa investiu em parcerias com estúdios de produção precisamente por causa da audiência global que o Hallyu criou.

O futuro da LG passa por três apostas simultâneas: a consolidação da liderança em OLED contra a concorrência crescente dos painéis QLED da Samsung e dos fabricantes chineses; a expansão da LG Energy Solution no mercado de baterias para veículos elétricos; e o crescimento da divisão de software e serviços, que hoje representa uma parcela pequena da receita mas crescente. A LG que existe em 2026 é muito diferente da que fabricava rádios em 1958 — mas a capacidade de se reinventar em torno de apostas tecnológicas de longo prazo é precisamente o fio condutor da história. Conheça mais sobre a cultura coreana e o contexto por trás do que você vê nas telas no HallyuHub.

LG e o K-content: telas que servem o Hallyu

A LG Display — divisão de painéis — fornece telas para as maiores plataformas de cinema e estúdio profissional da Coreia. Os estúdios de produção de K-drama em Seul usam monitores de referência LG OLED para calibração de cor — a mesma tecnologia que está nas televisões de sala de estar ao redor do mundo. Há uma linha direta entre a qualidade visual com que os K-dramas são produzidos e a tela OLED em que são assistidos, e a LG está presente nos dois extremos dessa cadeia.

O LG Arts Center em Seul — espaço cultural patrocinado pela empresa — recebe produções teatrais, musicais e concertos que incluem artistas de K-pop em formato acústico e experimental. É um dos raros casos em que um conglomerado industrial coreano investe em cultura de forma que vai além do product placement — há genuína curadoria de conteúdo e apoio a produções que não têm retorno comercial direto óbvio. Essa presença na cultura coreana é parte de uma estratégia de reposicionamento de marca de longo prazo que a LG construiu paralelamente à sua aposta no OLED.

INFO

A LG foi a primeira empresa do mundo a lançar uma TV OLED transparente comercialmente disponível — o LG OLED T, apresentado na CES 2024. O painel é 40% transparente quando desligado, tornando-se praticamente invisível. É também uma das poucas TVs que funciona como objeto de design de interiores além de dispositivo de entretenimento.

Para quem acompanha o Hallyu pelo K-drama e pelo K-pop, a LG é uma presença mais silenciosa do que a Samsung — mas não menos significativa. A qualidade da imagem com que o conteúdo coreano é produzido e consumido globalmente tem a LG como fornecedor invisível em múltiplos pontos da cadeia. Conheça mais sobre as conexões entre tecnologia e cultura coreana no HallyuHub — o portal que cobre o Hallyu em todas as suas dimensões.

O posicionamento futuro da LG depende de três apostas simultâneas que se reforçam mutuamente: baterias de veículos elétricos pela LG Energy Solution, telas OLED de nova geração (incluindo os painéis OLED.EX e WOLED para monitores profissionais), e eletrodomésticos conectados pela plataforma ThinQ. São três mercados que crescem por razões diferentes — transição energética, demanda por qualidade de imagem, e habitação inteligente — mas que compartilham uma característica: todos exigem o tipo de investimento de longo prazo em P&D que a LG demonstrou ser capaz de sustentar por décadas. Para quem acompanha a cultura coreana e o Hallyu no HallyuHub, a LG é um lembrete de que a Coreia que produz K-dramas e K-pop é a mesma que produz as telas em que esses conteúdos são assistidos.

Quanto você sabe sobre K-Pop e K-Drama?

Faça o quiz do HallyuHub — 10 perguntas, perguntas novas a cada rodada