
IZ*ONE
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Em 2021, o IZ*ONE encerrou as atividades exatamente como programado — 30 meses após o debut, sem drama, sem ruptura, cumprindo o contrato que criou o grupo. Duas das integrantes foram para o LE SSERAFIM. Duas foram para o IVE. Outras seguiram carreiras solo. Em 2024, Jang Wonyoung estava em capas de revista internacionais e Sakura tinha 10 milhões de seguidores no Instagram. Raramente um grupo que durou menos de três anos gerou tanto.
A história do IZONE começa no verão de 2018 com o Produce 48* — um cruzamento entre o reality coreano Produce 101 e o universo AKB48 do Japão. A CJ ENM, dona do Mnet, e a produtora japonesa AKS criaram um formato em que trainees coreanas competiam ao lado de membros das 48 Groups pelo voto do público. O resultado seria um grupo binacional com data de encerramento marcada no contrato: 2 anos e meio de atividades, nem um dia a mais. Doze meninas foram escolhidas. O conceito visual era soft e luminoso, quase o oposto do k-pop pesado que dominava as paradas na época. E funcionou de um jeito que ninguém previa com tanta clareza.
Produce 48: o reality que montou o grupo
O Produce 48 exibiu 12 episódios entre junho e agosto de 2018. A dinâmica era familiar para quem já tinha acompanhado as temporadas anteriores do Produce 101: trainees de múltiplas agências competem em avaliações semanais, com a votação do público eliminando candidatas e definindo o ranking final. A novidade era a presença das japonesas — membros de HKT48, AKB48, SKE48 e outras unidades regionais — que chegaram ao programa com estilos de performance e presença de palco bastante diferentes das coreanas.
A tensão cultural foi parte do produto. O programa mostrou as candidatas japonesas aprendendo coreografia de k-pop em tempo real, enquanto as coreanas se adaptavam ao sistema de voting de fandom que as 48 Groups conheciam melhor do que qualquer grupo de k-pop. Miyawaki Sakura e Yabuki Nako chegaram como as mais conhecidas do lado japonês — com fanbase massiva da HKT48 que impulsionou seus votos desde os primeiros episódios. Do lado coreano, Jang Wonyoung, então com 14 anos, e Kim Chaewon surgiram como as mais votadas no ranking final.
Você sabia?
O Produce 48 foi o programa de TV mais assistido da Coreia do Sul em sua faixa de horário durante a exibição, em 2018. A final teve audiência de 4,3% — resultado expressivo para um programa a cabo no Mnet.
As 12 membros: composição do grupo
A formação final do IZ*ONE reuniu sete coreanas — Kwon Eunbi (líder), Kang Hyewon, Choi Yena, An Yujin, Jo Yuri, Jang Wonyoung e Kim Chaewon — com três japonesas — Miyawaki Sakura, Yabuki Nako e Honda Hitomi — mais duas coreanas com presença significativa no mercado japonês, Lee Chaeyeon e Kim Minjoo. A amplitude etária era considerável: Jang Wonyoung tinha 14 anos no debut; Kwon Eunbi, 23. O contraste não era só de idade — era de trajetória. Eunbi havia passado anos como trainee sem debut confirmado. Wonyoung era praticamente desconhecida antes do programa.

Artista
Kwon Eun-bi
ATOR
Líder do IZ*ONE. A mais experiente do grupo no debut — anos de trainee antes da visibilidade do Produce 48.

Artista
Sakura
ATOR
Membro japonesa, ex-HKT48. Uma das mais votadas do reality. Hoje no LE SSERAFIM.

Artista
Kang Hye-won
ATOR
Visual do grupo. Carreira solo após o encerramento do IZ*ONE em 2021.
Jang Wonyoung terminou o Produce 48 em primeiro lugar, com 13 anos. Foi a mais jovem integrante a liderar um ranking final em toda a franquia Produce 101.
La Vie en Rose e o debut que não era óbvio
O IZONE estreou em 29 de outubro de 2018 com o mini-álbum COLORIZ* e a faixa-título 'La Vie en Rose' — produção suave, com estética floral e palette visual em tons de rosa e branco que contrastava claramente com o dark concept que grupos como BLACKPINK e Mamamoo vinham trabalhando. A escolha foi calculada: o grupo precisava de uma identidade imediatamente reconhecível que diferenciasse as doze membros individuais num mercado saturado. A leveza visual funcionou como ponto de entrada para um público que não estava necessariamente no k-pop pesado.
O álbum de debut vendeu mais de 180 mil cópias na primeira semana — número significativo para um grupo feminino em 2018, quando o mercado de álbum físico para girl groups ainda não tinha atingido os volumes que a quarta geração normalizaria nos anos seguintes. 'La Vie en Rose' ficou no top 3 do Gaon Chart por três semanas e abriu o caminho para uma das eras mais sólidas da discografia do grupo, que viria com HeartIZ* em abril de 2019.
“'Violeta', faixa-título do *Heart*IZ* (2019), estreou em #1 no Gaon Digital Chart — o primeiro #1 do IZ*ONE nas paradas digitais coreanas.”
A discografia em três fases
A carreira do IZONE pode ser dividida em três fases distintas. A primeira, de 2018 a 2019, estabeleceu a identidade visual e sonora: COLORIZ, HeartIZ e os lançamentos japoneses Suki to Iwasetai e Buenos Aires consolidaram o conceito floral-luminoso e construíram a fanbase WIZONE com alcance nos dois países. A segunda fase começa com BLOOMIZ em janeiro de 2020 — o primeiro álbum de estúdio completo, com 'Fiesta' como faixa-título. Produção mais elaborada, com influências de pop eletrônico que sinalizavam uma tentativa de amadurecimento sonoro sem abandonar a estética que tinha funcionado.
A terceira fase — 2020 a 2021 — é marcada pelo impacto da pandemia e pela consciência de que o encerramento se aproximava. O mini-álbum One-reeler / Act IV (outubro de 2020), com 'Panorama' como faixa-título, é frequentemente citado pelos WIZONE como o pico artístico do grupo: produção cinematográfica, conceito de memória e nostalgia que ganhava outra camada diante da dissolução iminente. O segundo álbum completo, MEMORY* (fevereiro de 2021), consolidou esse tom — o título era declaratório. O IZ*ONE estava se despedindo com consciência.
Você sabia?
'Panorama' (2020) atingiu 100 milhões de streams no Spotify em menos de dois anos após o encerramento do grupo — um dos desempenhos mais rápidos de uma faixa de girl group da terceira para a quarta geração na plataforma.
O escândalo Produce X 101 e o impacto no IZ*ONE
Em agosto de 2019, menos de um ano após o debut, estourou o escândalo de manipulação de votos do Produce X 101 — a quarta temporada da franquia. A investigação revelou que produtores do Mnet, incluindo o PD Ahn Junho, haviam manipulado os rankings finais de múltiplas edições, incluindo o Produce 48. A implicação era clara: a votação que determinou as doze integrantes do IZ*ONE possivelmente não refletia os votos reais do público. Algumas das membros que entraram no grupo poderiam não estar lá; algumas eliminadas poderiam ter entrado.
A reação foi intensa. A CJ ENM suspendeu temporariamente as atividades do IZONE enquanto investigava. Grupos de fãs se dividiram entre os que pediam dissolução imediata e os que argumentavam que as membros eram vítimas, não responsáveis. Após meses de incerteza, a empresa anunciou que o grupo continuaria — com o argumento de que as integrantes não tinham conhecimento ou participação na manipulação. A decisão foi controversa, mas o IZONE voltou e completou o ciclo até o encerramento em abril de 2021.
O PD Ahn Junho foi condenado em 2020 pela Justiça sul-coreana por interferência na votação do Produce 48 e das temporadas anteriores. A pena incluiu multa e suspensão do exercício profissional.
Não foi fácil. Mas decidimos que a melhor resposta era continuar mostrando o que o IZ*ONE representa — e deixar as pessoas decidirem por si mesmas.
O modelo coreano-japonês: uma aposta calculada
A estrutura binacional do IZONE não era novidade absoluta — grupos como TWICE da JYP Entertainment já operavam com membros japonesas e taiwanesas desde 2015. Mas o IZONE tinha algo diferente: as japonesas não eram simplesmente trainees recrutadas para diversificar o lineup. Miyawaki Sakura e Yabuki Nako chegavam com carreiras estabelecidas, fanbase ativa e identidade pública formada dentro do sistema 48 Groups. A colaboração entre Mnet e AKS não era só de casting — era de acesso a um mercado de física e votação que o k-pop ainda não tinha penetrado com tanta profundidade.
O mercado japonês respondeu. O IZONE lançou material exclusivo em japonês desde o início — Suki to Iwasetai* (2019), Buenos Aires (2019), Vampire (2019), Twelve (2020) — com promoções separadas, shows no Japão e cobertura de mídia especializada que tratava o grupo como entidade distinta, não como importação coreana. As vendas de álbum físico em japonês superaram expectativas e confirmaram que o modelo híbrido funcionava como estratégia comercial, não só como experimento cultural.
O álbum japonês Twelve (2020) estreou em #2 na Oricon Weekly Chart — a mais alta posição de estreia de um álbum de k-pop feminino na história do chart até aquele momento.
O legado: o que o IZ*ONE deixou
O IZONE encerrou as atividades em 29 de abril de 2021. Três anos depois, era mais fácil avaliar o que o grupo representou para o k-pop: um acelerador de carreiras sem precedente. Jang Wonyoung e An Yujin foram direto para o IVE* da Starship Entertainment, que estreou em dezembro de 2021 e tornou-se um dos grupos mais premiados da quarta geração. Kim Chaewon e Miyawaki Sakura foram recrutadas pela HYBE para o LE SSERAFIM, debut em maio de 2022, com uma das primeiras semanas de vendas de álbum mais altas entre grupos femininos de todos os tempos. A trajetória dessas quatro integrantes depois do IZ*ONE não seria exatamente a mesma sem o tempo que passaram no grupo.
Kwon Eunbi lançou carreira solo pela Woolim Entertainment, com uma identidade artística completamente diferente do IZONE — mais madura, com conceitos que exploravam territórios que o grupo projeto nunca teria permitido. Jo Yuri, Choi Yena e Lee Chaeyeon tomaram caminhos similares. As japonesas voltaram para o Japão — Nako para a HKT48, Honda Hitomi para projetos variados. O IZONE foi, para muitas delas, uma janela de exposição que abriu portas que o próprio sistema de trainee tradicional talvez não abrisse tão rápido.
O IZ*ONE foi onde aprendi que performar não é só executar o que foi ensaiado — é encontrar as outras membros em cena e criar algo que só existe ali.
O modelo de grupo-projeto com prazo definido não foi inventado pelo IZONE — existia há anos no k-pop em formatos como subunidades temporárias. Mas a escala do experimento, o alcance comercial e o sucesso pós-grupo das integrantes transformou o IZONE em referência. A ideia de que um grupo pode durar menos de três anos e ainda assim ser rentável, formador e capaz de lançar carreiras de longo prazo é hoje mais aceita do que era antes de outubro de 2018. O grupo também mostrou que o cruzamento coreano-japonês funcionava com profundidade quando havia estrutura de fanbase dos dois lados — uma lição que outras gravadoras continuam aplicando. Para explorar mais grupos da quarta geração, veja o IVE, o LE SSERAFIM e outros grupos k-pop no HallyuHub.



