
Artista
Kim Tae-hyung
CANTOR · ATOR
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Antes mesmo de aparecer publicamente pela primeira vez, V já era o assunto mais comentado dentro do universo do BTS. A Big Hit Entertainment o manteve como "membro secreto" até o dia exato do debut, em 13 de junho de 2013 — uma estratégia que transformou a expectativa em torno dele em algo raro: alguém que se tornou famoso por um mistério calculado, antes de provar, com a própria voz, que o hype tinha fundamento.
Esse fundamento veio na forma de um timbre que ainda hoje é descrito como um dos mais reconhecíveis do K-pop: um barítono grave, contido, que faz o oposto do que normalmente se associa a um idol em ascensão — em vez de buscar potência e notas agudas, V constrói presença através do controle, deixando o silêncio e o espaço fazerem parte tanto quanto a própria nota cantada.
Kim Tae-hyung é, também, uma rara figura dentro da indústria que conseguiu transformar uma frase dita de improviso, em pleno show, em símbolo oficial de um fandom inteiro — e, anos depois, transformar um EP de R&B introspectivo no maior recorde de vendas de estreia já registrado por um solista coreano. São dois tipos de impacto completamente diferentes, e ele alcançou os dois sem precisar disputar espaço com a própria imagem dentro do BTS.
V (Kim Tae-hyung), vocalista barítono do BTS, em cena de 'Jinny's Kitchen: Team Building'.“"Layover" (2023), seu EP de estreia, vendeu 2,1 milhões de cópias na primeira semana pelo Hanteo Chart — o maior número de vendas de estreia já registrado por um artista solo do K-pop.”
— Hanteo Chart
De Daegu a 'membro secreto' do BTS#
Kim Tae-hyung (김태형) nasceu em 30 de dezembro de 1995, em Daegu, e cresceu em Geochang. Ainda no ensino médio, começou a tocar saxofone com incentivo do próprio pai — um interesse que, décadas depois, segue moldando suas referências sonoras e o tipo de timbre que ele persegue em projetos solo. Tornou-se trainee da Big Hit Entertainment após uma audição em Daegu e, ao contrário da maioria dos colegas de grupo, foi mantido em segredo pela empresa até o dia oficial do debut do BTS — uma decisão que multiplicou a curiosidade em torno dele antes mesmo de qualquer apresentação pública.
Dentro do grupo, V se firmou como o vocalista de timbre barítono — um registro raro entre idols, que normalmente buscam tons mais agudos e brilhantes. Contribuiu com composições próprias em faixas como "Stigma" (2016) e "Singularity" (2018), sendo essa última um dos momentos mais citados de toda a discografia do BTS justamente por fazer o oposto do esperado: nenhuma nota alta, nenhuma demonstração explícita de potência vocal, apenas o peso de uma voz que sabe exatamente quanto espaço precisa ocupar — e a coreografia construída especificamente para a faixa reforçou ainda mais esse impacto contido.
Foi também V quem, em novembro de 2016, durante um show, cunhou de improviso a frase "I purple you" — uma expressão que, sem qualquer planejamento de marketing por trás, se transformou no slogan oficial do fandom do BTS, e fez do roxo a cor que hoje identifica o ARMY ao redor do mundo.
Você sabia?
V alcançou 1 milhão de seguidores no Instagram em apenas 43 minutos após criar a conta — um Recorde Mundial do Guinness. Em menos de cinco horas, já tinha 10 milhões.
Uma carreira solo construída antes do primeiro álbum#
Diferente de boa parte dos colegas de grupo, V começou a desenhar sua identidade solo muito antes de lançar qualquer álbum oficial. "Sweet Night" (2020), composta para a trilha sonora do drama "Itaewon Class", estreou em segundo lugar no Billboard Digital Songs Chart — um resultado raríssimo para uma OST de drama coreano em paradas americanas, conquistado sem nenhuma campanha de lançamento convencional, apenas pela força de uma canção que circulou organicamente entre fãs do drama e do BTS.
Esse tipo de sucesso silencioso — sem holofotes, sem grandes estreias programadas — se tornaria uma marca registrada de V. Quando ele finalmente decidiu lançar um projeto solo formal, já não precisava convencer ninguém de que tinha uma voz capaz de carregar um álbum sozinha: o público já sabia.
"I purple you" não foi planejado — saiu de improviso num show. Mas o que ele quis dizer era real: que confiava que o amor entre a gente duraria muito tempo.
Layover: o recorde que ninguém esperava nesse tamanho#
Em setembro de 2023, V lançou "Layover", seu primeiro EP solo, com as faixas "Love Me Again", "Rainy Days" e o single principal "Slow Dancing". O projeto vendeu 2,1 milhões de cópias na primeira semana pelo Hanteo Chart — um recorde histórico de vendas de estreia para qualquer artista solo do K-pop até aquele momento — e estreou em segundo lugar no Billboard 200. Sonoramente, "Layover" representou uma escolha estética clara: em vez de apostar em refrões grandiosos ou ganchos pensados para viralizar, V se moveu em direção ao jazz suave e ao R&B melódico, áreas que dialogam diretamente com seu interesse declarado por artistas como Eric Benet e Ruben Studdard.
“"Layover" (2023) vendeu 2,1 milhões de cópias na primeira semana — a maior estreia de vendas já registrada por um artista solo do K-pop — e estreou em 2º lugar no Billboard 200, consolidando V como uma força solo independente do BTS.”
Em 2024, deu sequência a esse caminho mais introspectivo com "Fri(end)s" e "Winter Ahead", esta última uma colaboração com o veterano Park Hyo-shin que deixou claro o interesse de V por um repertório mais adulto, melancólico e distante das fórmulas mais óbvias do pop coreano contemporâneo. É um tipo de risco que poucos artistas em ascensão se permitem correr — e que, em vez de afastar o público, reforçou a percepção de que ele sabe exatamente que tipo de carreira quer construir.
V ao lado de IU, Lee Seo-jin e Park Seo-joon em 'Jinny's Kitchen: Team Building', mostrando seu lado mais descontraído fora da música.Você sabia?
Em 2023, V participou do reality de culinária 'Jinny's Kitchen', no Prime Video, ao lado de IU, Lee Seo-jin e Park Seo-joon — uma das produções que revelaram seu lado mais leve, espontâneo e bem-humorado fora dos palcos.

SERIE · 2023
Jinny's Kitchen: Team Building
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Serviço militar e o gesto que poucos repararam#
V iniciou o serviço militar obrigatório em 11 de dezembro de 2023, sendo designado para a Unidade Ssangyong do 2º Corpo do Exército — a força-tarefa especial da Polícia Militar — e foi dispensado em 10 de junho de 2025. Em março de 2025, ainda durante o serviço, doou 200 milhões de wons à Cruz Vermelha Coreana para a recuperação das vítimas dos incêndios que atingiram Ulsan e as províncias de Gyeongbuk e Gyeongnam — um gesto que recebeu pouca cobertura internacional, mas que reforça um padrão: V tende a agir antes de anunciar, e a deixar que o impacto fale sozinho.
Por que V importa além do BTS#
O que torna V um caso particular dentro do K-pop é a forma como ele construiu reconhecimento por caminhos que normalmente não geram tanto alcance: uma frase dita sem planejamento que virou símbolo de um fandom inteiro; uma OST de drama que conquistou o público americano sem nenhuma campanha; um EP introspectivo que quebrou recordes de vendas justamente por não tentar imitar fórmulas. Em cada um desses casos, o sucesso veio como consequência de uma identidade muito clara — não como resultado de estratégia de mercado.
Há algo coerente, também, na trajetória de quem foi apresentado ao mundo como mistério e, com o tempo, escolheu ser conhecido pela transparência: nas doações silenciosas, nas participações descontraídas em programas como "Jinny's Kitchen", e na disposição de assumir riscos sonoros — como em "Winter Ahead" — que poderiam não ser imediatamente compreendidos pelo grande público, mas que mostram exatamente o tipo de artista que ele quer ser no longo prazo.
Para quem quer conhecer o trabalho solo de V, "Love Me Again" é a porta de entrada mais natural — a faixa mais acessível de "Layover" e um retrato fiel do registro vocal dele sem ornamentos. "Slow Dancing" confirma que o álbum inteiro funciona nessa mesma frequência calma e introspectiva. E, para quem quer entender o alcance que ele já tinha antes mesmo do debut solo, "Singularity", do álbum coletivo "Map of the Soul: Persona", mostra a versão mais performática — e mais citada — desse mesmo timbre único.
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