Rosé (BLACKPINK): de Melbourne a fenômeno global do K-pop#
Quando Rosé lançou APT. em outubro de 2024 e quebrou recordes históricos no Spotify, o mundo ocidental tratou o evento como uma surpresa. Para quem acompanha o K-pop, não era: Rosé é a artista do BLACKPINK que sempre teve o potencial mais óbvio de cruzar barreiras linguísticas e culturais. Aquele timbre — levemente rouco, com um vibrato distintivo que parece cair do céu — já era inconfundível desde 2016. O que mudou foi que finalmente chegou a hora dela fazer isso completamente por conta própria.

Rosé
ATOR
Ver perfil completo→
A menina de Melbourne que foi parar em Seul#
Roseanne Park nasceu em Auckland, Nova Zelândia, mas cresceu em Melbourne, Austrália. Filha de pais coreanos, cresceu bilíngue e com influências musicais ocidentais — piano clássico, guitarra acústica, pop australiano. Em 2012, quando tinha 15 anos, um vídeo seu cantando circulou e chegou à YG Entertainment. Ela foi convocada para uma audição, passou, e se mudou sozinha para Seul.
O processo de treinamento na YG durou quatro anos. Rosé aprendeu coreano fluente (o que ela falava na infância era básico), aprendeu dança, aprendeu a se mover em palco, aprendeu a ser idol. Quando o BLACKPINK estreou em agosto de 2016, ela tinha 19 anos e havia passado praticamente toda a adolescência longe de casa, longe da família, construindo algo que ainda não tinha nome definido.
Você sabia?
Durante os quatro anos de treinamento, Rosé voltou para Melbourne apenas algumas vezes ao ano. Ela descreveu esse período em entrevistas como "solitário, mas necessário" — e disse que a saudade de casa entrou em várias músicas que escreveria anos depois, incluindo faixas do álbum ROSIE [VERIFICAR].
O BLACKPINK e a Rosé que o mundo viu#
No BLACKPINK, Rosé assumiu o papel de vocalista principal — a responsável pelos trechos mais exigentes tecnicamente e pelos hooks mais memoráveis. Seu timbre é o mais reconhecível do grupo: nenhuma das quatro soa como ela. A leveza com que entrega notas difíceis, o vibrato natural, as inflexões que quebram levemente em momentos emocionais — tudo isso criou uma identidade vocal que dispensa apresentação.
Além de vocalista, Rosé é guitarrista — um detalhe que foi aparecendo gradualmente em apresentações ao vivo e que ganhou destaque quando ela começou a carreira solo. A guitarra não é ornamento: ela realmente toca, compõe com ela, e o instrumento moldou o tipo de pop que ela queria fazer no seu próprio nome.
Eu sempre soube que tinha coisas que queria dizer que não caberiam no BLACKPINK. Não porque o grupo seja limitante — mas porque são histórias minhas, de um jeito muito específico.
On the Ground: o primeiro passo solo#
Em março de 2021, Rosé lançou "On the Ground" como seu primeiro single solo — e estreou no #70 do Billboard Hot 100, quebrando o recorde de artista solo de K-pop na época. A música, em inglês e coreano, era sobre redescobrir quem você é depois de perseguir o sucesso por tanto tempo. Era pessoal, direta, e soava diferente de tudo que o BLACKPINK fazia como grupo. O mundo prestou atenção.
Você sabia?
On the Ground foi escrita depois que Rosé admitiu internamente que, apesar de todo o sucesso do BLACKPINK, havia momentos em que se sentia perdida sobre quem era fora do grupo. A letra "I've been trying to find my ground / But I've always been running, running" foi descrita por ela como autobiográfica [VERIFICAR].
A transição: YG + Atlantic Records#
O passo mais significativo na carreira solo de Rosé foi assinar com a Atlantic Records para sua atividade internacional, mantendo o contrato com a YG para o BLACKPINK. Esse modelo — artista de K-pop com contrato dual em gravadora ocidental — ainda é raro, e representa uma autonomia criativa real. A Atlantic não apenas distribuiu o álbum ROSIE: esteve envolvida na produção, nas parcerias (incluindo Bruno Mars) e no posicionamento de mercado. O resultado foi uma artista que não precisou escolher entre dois mundos.
APT. e a explosão global#
Quando APT. chegou em outubro de 2024 — quatro semanas antes do lançamento do álbum completo — ficou claro que ROSIE não seria um lançamento comum. A música com Bruno Mars virou hino instantâneo, baseada no jogo de bebida coreano 아파트, e acumulou mais de 500 milhões de streams no Spotify em tempo recorde. Entrou no top 10 do Billboard Hot 100 e ficou semanas no topo das paradas em dezenas de países. O Brasil foi um dos mercados que mais abraçou a música — APT. dominou playlists e redes sociais por meses.
Você sabia?
Bruno Mars disse que ficou surpreso com a profundidade do conhecimento de Rosé sobre produção musical durante as sessões de gravação de APT. — ela não apenas cantou o que foi escrito, mas contribuiu ativamente com ideias de arranjo e entrega [VERIFICAR].
ROSIE: o álbum que a apresentou de verdade#
Lançado em 24 de janeiro de 2025, ROSIE é o primeiro álbum de estúdio completo de Rosé e o projeto mais pessoal de sua carreira. Com 13 faixas todas co-escritas por ela, o álbum cobre um espectro emocional amplo: da euforia de APT. à vulnerabilidade de Number One Girl, da energia de Gameboy à delicadeza de Dry Flowers, até o encerramento corajoso de Hard to Love. Estreou no top 5 do Billboard 200 e foi reconhecido por críticos internacionais como um dos melhores lançamentos de K-pop do ano.
- APT. (feat. Bruno Mars) — o hit global que apresentou Rosé ao mundo ocidental em massa
- Number One Girl — a confissão de insegurança que fez o mundo parar
- Toxic Till the End — pop-rock sobre o ciclo de amor destrutivo do qual ninguém sai
- Gameboy — a versão segura e irônica de Rosé, com controle total da dinâmica
- Stay a Little Longer — folk acústico sobre não querer que um momento acabe
- Hard to Love — o encerramento mais corajoso: Rosé admite que é difícil de amar
A artista além da idol#
O que separa Rosé da maior parte das artistas de K-pop é a combinação de timbre único + autoria genuína + presença de palco construída ao longo de anos. Ela não é a artista mais tecnicamente complexa do K-pop — mas é uma das mais reconhecíveis. Em três notas, você sabe que é ela. Isso é raro em qualquer gênero, em qualquer idioma.
Além da música, Rosé é embaixadora global da Tiffany & Co. — um dos contratos de luxo mais significativos já firmados por uma artista de K-pop — e regularmente aparece em editoriais de moda internacionais. Mas ao contrário de algumas artistas que deixam a imagem de marca engolir a identidade artística, Rosé conseguiu manter as duas coisas distintas. O ROSIE que você ouve não parece um produto de marketing: parece uma pessoa.
Você sabia?
Rosé é a única integrante do BLACKPINK que cresceu fora da Coreia e Ásia, o que moldou diretamente seu gosto musical e sua abordagem à composição. Ela cita Taylor Swift, Lorde e Fleetwood Mac como referências ao lado de artistas de K-pop — uma mistura que aparece claramente nas faixas mais indie de ROSIE.
Você sabia?
Durante a turnê mundial do BLACKPINK em 2022-2023 (Born Pink), Rosé usou a guitarra em vários momentos dos shows solo — algo que os fãs identificaram como uma sinalização de que o álbum solo que estava por vir teria uma sonoridade mais orgânica do que o pop eletrônico do grupo.
“Em três notas você sabe que é ela. Isso é raro em qualquer gênero, em qualquer idioma.”
O que vem a seguir#
Com ROSIE estabelecendo Rosé como força solo no pop global, as expectativas para o próximo capítulo são altas. O BLACKPINK ainda existe — as quatro integrantes renovaram contratos com a YG em 2023 — mas cada uma também segue um caminho individual paralelo. Para Rosé, esse caminho agora tem um álbum, tem sonoridade definida, tem colaborações internacionais e tem fãs em todo o mundo que a conhecem como Rosé, não apenas como "a vocalista do BLACKPINK". Isso, em si, já é a virada.
Quer mergulhar fundo em ROSIE? O HallyuHub tem artigos com tradução e análise de todas as 13 faixas do álbum. Confira em hallyuhub.com.br/blog.



